segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Poema (des)alinhado



Ando sempre à margem
De todas as margens do
Planeta -
Parágrafo mal começado
Desplanejado
Meio de página que se
Quebra na ênclise forçada
Das redações contemporâneas

Ainda acredito na informalidade dos
Amores
E no pedido de "me queira
por favor" sem constrangimentos da moça
De chapéu que escrevia cartas no século
30

Em meio à velocidade do tempo
Sem tempo que não existe e corre
Tanto que não deixa
Rastros,
Me rendo aos espaços sem fim:
À folha em branco que tanto
Podia ter sido
E não foi;
Ao envelope solitário,
Não respondido,
Inútil;
À caneta cheia de dores
Da força de quem a tortura;
E ainda às teclas
Que sofrem nas mãos dos
Dedos calejados e vazios
Que tudo começam e tudo
Terminam num só padrão:
O da seriedade

Ainda acho também que o sofrimento das
Vidas todas será sempre igual
Em todas as épocas
Visível ou invisível nos papéis
Enviados ou guardados a
Oito chaves

Sempre
Sempre
Em todos os lugares do universo
Alguém ainda pedirá
Ajuda
E um outro sempre
Tentará o ler
Incompreensivelmente
E a tal ajuda nunca
Chegará como se espera
(o segredo talvez seja
pura e simplesmente
nunca mais esperar
 - o desespero é que pode dar
certa beleza ao desamparo)
E a poesia torna
Tudo um pouco rosa
E espinhoso
E fura tão profundamente
Que desarma todas as procuras
Por impessoalidade:
Porque ainda valorizo
Todos os sujeitos
Que amassam letras e
Linhas
Sem dó
Nem piedade
Nem padrões
Nem fôrmas
De sucesso

O meu protesto é encerrado
Pelo nada.

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