domingo, 19 de setembro de 2010

Dói?

Na madrugada de ontem, não lembro o porquê, pensei: sempre existem situações piores... E entrei em contradição comigo mesma. Se sempre há alguém pior, deveria haver o pior de todos? Não, porque existiria algo pior do que o pior de todos, já que sempre pode ser pior... Enfim, seguindo esse raciocínio, vale o mesmo para o "melhor". Não pode ser sempre pior ou melhor. Quando a dor é sua, não adianta saber que há algo pior. Dói da mesma forma. Depende também do conceito de "bom" e "ruim". Mas tudo me faz crer que os acontecimentos não doem. O que dói é ter sua pior parte revelada pra si mesmo, são os medos. O que dói é você. Você se dói, porque mexe nas suas feridas mal cicatrizadas. Você ouve "sinta-se bem" e tenta "sentir o bem", mas não faz o que realmente deveria fazer: sentir-se, sentir você, sentir a vida que existe em cada sorriso, choro ou grito seu. Terminar o namoro não dói... O que dói é o medo de estar só. Engordar não dói... O que dói é o medo de ser rejeitada. Viver não dói... O que dói é o medo de morrer. Amar não dói... O que dói é o medo de não ser amado. A superfície engana. Tentamos cobri-la com sorrisos falsos ou maquiagens. Esquecemos de nos preocupar com o que verdadeiramente machuca. Agimos pelo medo e não podemos sentir o amor. Esquecemos que o maior perigo é não amar. Esquecemos que não importa o quanto choramos, quando há alguém para nos ajudar a sorrir. Enquanto não aceitarmos e amarmos quem somos, ninguém poderá fazer o mesmo por nós. Jogue fora o que não condiz, admire-se, ame-se, viva-se. Você não precisa ser perfeito pra isso. Aliás, é o imperfeito que atrai. Pare e lembre: esta vida é sua.

5 comentários:

  1. É exatamente assim que penso Manu :)
    Não podemos tentar sempre ficar justificando nossa dor pela dor dos outros. Temos que ser capazes de enxergar a essência de tudo isso. Não podemos julgar a dor do outro pensando que a nossa é pior. "Dói da mesma forma". Afinal, como disse Shakespeare " qualquer um é capaz de superar uma dor, quando ela não é sua".

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  2. Pois bem.

    Dá medo - mas não aquele medo negativo, é daqueles de 'frio na barriga' - só de imaginar o mundo se todos enxergasse-o como você. Não haveriam singularidades, porém o mundo seria mais mágico.

    Parabéns por essa bela e profunda reflexão.
    Nutriu ainda mais minha alma.

    Ah, sim, obrigado por ter visitado o In.diferente.
    Seria uma honra tê-la por lá mais vezes.

    Fique bem, Emanuele!

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  3. Nossa manu, lindo texto!
    Existem tantas dores não é mesmo? A dor do fim, a dor de um novo começo, a dor das frustrações, a dor de ter que sonhar sozinha.
    Jogar fora, abrir mão, desistir que no fim das contas é a mesma coisa DÓI!
    Mas são dores necessárias para seguirmos em frente.
    Boa sorte nessa caminhada, linda!
    (Você não está sozinha, independente das dores maiores ou menores.) beijo

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  4. Acho que o que mais dói e não sentir nada, nem dor nenhuma. Aquela estranha sensação de indiferença diante de qualquer sentimento sabe?

    LINDO seu texto, estou te seguindo tb!
    Meus parabéns, passo aqui mais vezes.
    ;*

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  5. Meu Deus, que lindo isso amiga! Como todos os seus textos, aliás. Você consegue transmitir muito bem tudo que sentimos com palavras. Continue assim! *-* Te amo muito. Iana Peixoto =*

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