quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Até quando...

Lendo um livro no notebook, acabei lembrando dele, e tive que pegar o carregador e conectá-lo na tomada, pra não me distanciar. E não posso deixar as lágrimas caírem: há gente aqui. Gosto tanto dele. Tanto, tanto, tanto, tanto. Por quê? Não sei. Mesmo. E eu olho pra este telefone como se fosse minha salvação: parece que estás dentro dele. Eu preciso pegá-lo, colocá-lo na orelha, discar oito números e dizer "alô? vou praí, você sabe". Mas não posso. Não posso porque não sei. Não sei dele, não sei de mim. Eu preciso ver se você está, no que pensa... Parece que és onipresente e tá em todo lugar. Saio, você tá. Chego, você tá. Sorrio, você tá. Choro, você tá. Penso, você tá. Está em todo lugar, a todo momento, em todo pensamento, em todo sentimento, em todo gesto, palavra, rua, esquina, padaria, até quando sinto cãibra no pé, você está. E eu não quero que vá embora. Não quero, não. Não que eu não possa, eu só não quero mesmo. É muito melhor contigo. É muito mais doce, tenho mais fé, mais alegria, eu fico toda colorida parecendo tv quando sai do ar, no mesmo canal vinte e quatro horas. Por favor, não vá. Não fuja. Fique mais um pouco, pegue uma xícara, um prato, tire os sapatos, desabotoa um pouco essa tua camisa, não muito porque acho brega. Mas fica, vai. Faz companhia nesta noite chuvosa, me faz lembrar dessas coisas pequenas que a gente vive notando, anda do teu jeito, brinca, mas não vai. Seria bom se pudéssemos escolher a hora pra gostar, assim como quando marcamos encontros: das 08:00 às 15:00 eu penso, mas das 15:01 até o outro dia eu esqueço. Ouve agora: eu prometo que fico se você ficar também. Eu tô cansada de "tchau", "adeus", "até outro dia" e não ver nunca mais. Tô cansada desses "eu te amo" e, ao sair, o dedo médio levanta acompanhado de algum palavrão trivial. Tô cansada dessas promessas que todo mundo sabe que não irão se realizar. Eu só queria você mesmo. Sem promessa, sem "te amo", sem "adeus". Só queria essa tua sinceridade, seja lá por quanto tempo for. Talvez até quando eu quiser, até quando tu quiseres, até quando. Fica com esta tua mania de brigar comigo, esse teu jeito imbecil. Mas não vai, não. Deixa que eu levante meu dedo médio sorrindo: é melhor do que levantar os cinco e dizer "até quando quisermos, até quando". Não vai, não.

6 comentários:

  1. nem sei mais o que dizer dos teus textos "bom, muito bom, maravilhoso, ótimo, perfeito...", na verdade o que eles são é "verdadeiros", e por isso comovem, cativam, divertem e tudo o mais.

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  2. Emanuele

    Texto lindo, minha querida!

    Mas, diga-me, esta é uma obra de ficção ou você está mesmo apaixonada, rsrsrs? Porque, se estiver, eu diria a essa pessoa o quanto de sorte ela tem! Eu diria a essa pessoa para não ir embora nunca mais. Eu diria a essa pessoa que pegasse essa mulher linda para si e nunca mais a soltasse...

    Beijos

    Carla

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. OI MANU?TD BEM?CHEGUEI AQUI ATRAVES DO PEQUENOS BARULHOS INTERNOS PELO COMENTARIO SEU LA E VIM VER SEU BLOG...ME DEPARO COM UM BLOG LINDO DE UMA MENINA LINDA ..QUE PELA FOTO TEM IDADE PRA SER MINHA FILHA..QUE DEVE TER A SUA IDADE MESMO...ADOREI SEU TEXTO..SE VOCE QUE ESCREVEU EITA MENINA DE CONTEÚDO VIU??AS PALAVRAS DA CARLA FAÇO MINHAS...VOCE COLOCOU SENTIMENTO NO QUE ESCREVEU E DEU PRA ENTENDER TUDINHO QUE VOCE QUIZ PASSAR..EU TAMBEM DIRIA A ESSA PESSOA ""ALOUUUUU ACORDAAAA""TEM UMA MOÇA LINDA NA SUA JANELA E VOCE SE FINGINDO DE MORTO ALOOOUUU""'SRSRSR MAS VOLTANDO A FALAR DO TEXTO BELISSIMO ...SE QUIZER PODE IR VER MEU BLOG ...É PRA MÃE FILHOS E TODOS QUE GOSTAM DE HISTORIAS REAIS..COMO A SUA
    BJS QUERIDA
    OTILIA

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  5. "Eu só queria você mesmo. Sem promessa, sem "te amo", sem "adeus". Só queria essa tua sinceridade, seja lá por quanto tempo for."

    Esse texto e esse trecho em especial é de uma exatidão de sentimento incrível!

    Parabéns pelos belos textos,

    Felipe.

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  6. Minha querida, você me emociona. Destacaria até o mesmo trecho que o Felipe, porque de verdade, sinto o mesmo que você. Hoje sei que promessas não seguram ninguém ao nosso lado, que quem nos disse ontem que seria 'para sempre', amanhã pode nos olhar e dizer simplesmente: 'mudei de ideia', 'me enganei', 'foi eterno enquanto durou', ou o clichê 'você merece alguém melhor'.
    Parabéns Manu, você consegue colocar emoção em cada palavra, e eu aqui, apenas deleito-me.

    Beijos,

    Débora.

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