quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Alma

Minha alma está presa nos outros
E não é mais minha há
Muito tempo

É o cabelo colorido da menina do
Outro lado da calçada
O relógio swarovski da revista
O batom matte comprado agora
Minha alma é cheia de cores
Mas vazia como o bege do universo
Brilhante como toda a galáxia
E tão fria quanto estar sozinho à noite

Minha alma tem o infinito inteiro
De cheiros, de brinquedos e desejos
Mas não sente nada além da vontade
De comprar mais um vestido pra
Tornar-se só tecido e
Cobrir dores e impudores
Numa sexta-feira à noite
(pra proteger-se de um jeito novo
como a galinha cobre o ovo com
seu amor de mãe:
meu corpo é filho de uma alma
sem dono)

Quem sabe
Minha alma nem exista
E todo pensamento seja só uma
Baboseira, numa vida rápida
Efêmera
Como o grito das palmeiras ao
Bater do vento:
Ninguém ouve
E só se cria num poema

Talvez minha alma seja um poema

solto

E morra após sua leitura
Sempre analfabeta e
Dura como todas as metáforas
Da existência.

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