terça-feira, 4 de junho de 2013

Esperas e vazios

A vida tem me entediado
Um pouco
Ou eu mesma tenho entediado a vida
Vai saber...
As noites estão meio cinzentas
Como que encobertas por um vidro fumê
Eterno;
As estrelas ficam opacas, por vezes...
Por vezes, nem aparecem no céu;
As coisas estão em seus lugares
Desarrumadamente em seus lugares,
E eu adoro movimentos,
E tenho desejos hiperativos,
E pinto o cabelo pensando na próxima cor,
E como pensando no próximo bolo,
E amo pensando no próximo amor,
E me anseio toda,
Como se algo muito grande estivesse por vir,
Mas houvesse se perdido pelo caminho:
O destino sou eu, coisa grande e sem nome
Talvez seja mesmo difícil achar um vazio à própria frente
- eu já achei o meu
desde que nasci e me pus a chorar
e a abrir os olhos pretos -
A vida é cheia de atrativos, como uma loja de
1,99
Olhar as lacunas não interessa
Mas eu foquei nos livros já comprados,
Nos biliros roubados,
Em tudo que poderia ser, e
Não foi;
Eu me enfiei na minha escuridão
E não achei mais porta.
No real interior, não há energia
Então, me obrigo a trabalhar os bastonetes
A tentar prever o próximo degrau
E espero o imprevisível a qualquer momento:
É esse o nome que te dou
E que me dou, junto
Sou mesmo imprevisível - inclusive, a mim
E espero uma coisa que não chega nunca
Que não chegará nunca
Que nem mesmo existe
Que, se existisse, eu não a quereria
Mas até o inexistente os homens fizeram questão de
Nomear
Por isso, eu invento
E crio coisas tolas que não vivem
Que não respiram
Que não pensam doidamente
Fujo de mim, do real, da linguagem
E de todos esses troços em que me meti
De alguma forma
Em algum caminho
Num dia, talvez numa loja chinesa,
Enquanto me perdia em direção ao vazio de
Alguma coisa qualquer
Achei o meu
Agora, não sei mais sair

Desculpe o atraso.

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