segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Polaroid

Se minha sensatez fosse visível
Eu a recordaria com ajuda de uma Polaroid
Só que, antes disso, eu precisaria de uma Polaroid
E, ainda mais antes, precisaria crer em deus
Pra pedir, com fé, "que eu não endoide!"

Mas minha sensatez prossegue invisível
Que dirá risível
Ao ponto de dizer xis
De posar feliz
De ser fotografada
E lembrada como coisa rara, mas até possível
Na vida de um louco?

Um que, pouco a pouco, acha que se cura
Até que a loucura
Permite que ele tire autorretrato
Com uma outra lente:
É aí que o doente
Não acha uma foto
Nem mesmo uma foto
De um ser sensato

Ele é doido nato
Não se explica por Freud
Mas ainda acha que sua sensatez
Pode, talvez, ser captada pela Polaroid.