segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Amélia (ou dos poemas guardados e esquecidos II)

Meu amor,
Sou boa pessoa, juro!
A tudo aturo, sem reclamar
Não digo não, só passo o chão
Não deixo nem comida esfriar

Meu amor,
A vida é breve
E bem mais leve se tu me amar
Levo teu peso, dor e desprezo
Pro tempo passar mais devagar

Meu amor,
Sou boa esposa
Não sou gulosa, eu faço a feira
Sou pirangueira, guardo dinheiro
Pras tuas bebidas, pressas feridas
Que tu não cansas de me causar

Meu amor,
Sei que me amas
Mesmo que, às vezes, sejas errado
Guardo meus choros, sempre calados
Gritam por dentro, te adoram mais

Meu amor,
Sei que, no fundo, és bom rapaz
Pois teu afeto vive em sinais
Que, obscuros ou mesmo roxos,
São, no meu rosto, mais que imortais.