sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vazio

Parece-me que o esvaziamento das ruas
É paralelo ao de minha alma
Ando seca e devagar, pela calçada
Sem risco de atropelamento
Sem reformas, sem cimento
Sem trânsito engarrafado
Sem gente me olhando torto
Sem homem de terno e gravata
Sem esgoto, sem barata
Sem o aperto das vias
A rua está vazia
Mesmo com o meu trajeto
Sou um pouco mais de nada
Em meio ao nada completo:
Não há quem a mim observe
(senão eu mesma, exceto)
Não há quem peça informação
Não há luzes, não há carros
(nem no céu passa avião)
Só há eu, eu, eu e eu
E um mundo todo meu
Que em nada assim me serve
Pois, sozinha, no enfado
Não atravesso pela faixa
Nem espero o sinal fechar
Vou fazendo tudo errado
Finjo que logo virá
Um sujeito me mandando
"Ficar bem onde está"
Ou ficar bem,
Pelo menos,
Mesmo que em nenhum lugar.