quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Dos dois cheiros que meu amor tem ou Dos poemas guardados e esquecidos

I
Não:
Não é esse o cheiro que meu amor tem.
Meu amor tem mais cheiro de ameaça
E é dele que eu me faço refém
Pois por mais besteiras que ele me faça
Não existe, neste mundo, maior bem.

II
Meu amor tem cheiro de livro usado
Tão usado, que a folha se amarela
Da poeira que obriga a cautela
De impedir que o polegar se banhe à boca.

Se der louca, lambe-se o dedo inteiro.
E se avança, de janeiro a dezembro
Do início ao derradeiro
O final passa a ser novo começo:
É mais fácil relembrar o próprio apreço.