quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Jorros absurdos do Outro

A certeza que eu tenho
corrói todo o momento
mistura o pensamento
e faz em mim buraco

me causa até cansaço
mas eu não me contento
preciso é ser isento
dos cortes pelos cacos

do copo que quebrei
quando estragaste o laço
queimando o nó da lei
por mim já decretada

mesmo ao ser tu rainha
não eras mais sozinha
tinhas uma companhia
para fumar um maço

e eras bem mais minha
que o meu próprio braço
envolto em teu cabelo
pintado com amônia

- que com aquele cheiro
me provocava insônia
e me enjoava inteiro
mas não houve embaraço -

puxei o pregador
das roupas, no terraço
e tapei o nariz
quase como palhaço

foi assim, bem feliz
que dei o teu abraço
já que o vento carrega
vestes soltas abaixo

já que tu voas, cega
e vais seguindo a brisa
- em busca da camisa
que vestiu tua entrega -

e após criares asa
morres em tua casa
bem em cima do linho
em piso da calçada

e eu prossigo sozinho
na mesma dura estrada
com os meus pés cortados
pela taça quebrada.