sexta-feira, 6 de abril de 2012

Meu medo

As pupilas do meu medo
mexem bem rapidamente
correm pra não ver
o tempo passar
a humanidade sumir
e o amor morrer

correm sempre
sem parar
pra não ver que
as pessoas de ontem
já não são as mesmas
de hoje

pra não ver que
a dona dos olhos
já não é a mesma
mas comete sempre
os mesmos erros

o medo
que eu tenho
nem sempre foi meu:
é herdado
passado, doado
pelo bom senso, chantageado
pelas raízes, multiplicado
na infância que
até hoje
não passou

foi bem criado
nas palavras proferidas
por robôs vinteumanos
magros
um metro e setenta
cabelos lisos
de almas coagidas
pela sobrevivência
que se implica
logo ao nascer

o que você quer ser
quando crescer?
eu mesma, disse
isso era pouco, disseram
mas eu ainda
não desisti

o medo
que eu tenho
que é meu
é doente:
medo de gente
de botar o pé na rua
medo de felicidade
aquela que eu busco
e só encontro
quando sou inteiramente
tua.

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