segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Com todo o meu amor.


Há certo tempo não me declaro a vocês – não incluindo as declarações diárias, que não são feitas apenas por palavras, mas por atitudes. Digo que há certo tempo não coloco meu amor em letras e linhas. Eu nem sempre tive amigos – contando nos dedos, por 8 anos. Sempre fui muito quieta, calada e um pouco insegura – o bastante para que alguns se aproveitassem disso. Eu conheci inúmeras pessoas que não usam de sua personalidade, que preferem apropiar-se da identidade alheia, enquanto outras realmente são más. Por isso, é maravilhoso conhecer, dentre tantas frutas podres, pessoas que “valem a pena”. Que valem a pena por ter caráter, princípios e características próprias – e se orgulham disso. Que valem a pena porque não se afastam de quem é magro, gordo, alto, baixo, negro ou branco. Que valem a pena porque não ligam para a sua conta bancária. Que se importam com o que você é, não com o que tem – e o fazem, de fato, não colocando discursos na boca. Porque estão contigo, mesmo quando você erra. Porque não desistem de você, nem te permitem fazer o mesmo. Porque dividem o guarda-chuva, mesmo que não haja uma tempestade. Porque te esperam, mesmo que você se atrase. Porque dizem suas opiniões na sua cara, nos seus olhos, não por tuas costas. E por incontáveis motivos que me fazem amá-los mais e mais, a cada dia. Obrigada por dizerem quando erro, quando acerto e quando nem sei o que fazer. Obrigada por gostarem de mim, das minhas qualidades e defeitos, por se aventurarem à mesma sensível tarefa de mostrar-se a alguém, de expor suas fragilidades e saber que o outro não se aproveitará delas – que, ao contrário, mostrará as suas próprias. Obrigada por rirem de mim e comigo, igualmente a quando rio de e com vocês. O planeta possui muitíssimas pessoas – e eu não lembro, com exatidão, o número -, mas é tão raro encontrar sinceridade. Vocês não são pessoas perfeitas – o que é ótimo, porque também não sou -, mas são amigos perfeitos. Que, se erram, pedem perdão. Que, quando magoados, falam. É inexplicável a sensação de sentir-se totalmente à vontade, totalmente “eu mesma”, livre para falar meus pensamentos, sem ser rotulada, às vezes até mesmo ouvindo, “Pensei o mesmo!”. Descobrir coisas e mundos juntos, cada um à sua maneira, ritmo e curiosidade. Entender que somos diferentes e com tantas peculiaridades em comum. Pedir conselhos sem sentir-se fraco, tocar a campainha sem ter medo de ser incoveniente, contar dos erros sem sentir-se um monstro, dividir ideias sem medo, sentir-se seguro quando estão por perto e confiante, também, quando não se encontram no mesmo ambiente, pois um sabe do outro. Eu aprendi a amar e a ser amada – pelos outros e, também, por mim. Eu sou feliz demais, mesmo, por ter e ser “um muito” de vocês, que são o melhor que me acontece, todos os dias, e fazem com que eu me sinta especial. Vocês são, também, minha família e possuem muito mais intimidade que alguns com quem compartilho o sangue. Eu tenho total ciência dos que me amam e se importam comigo, e esses sabem que é recíproco. Eu sinto, há muito tempo, que nunca mais serei sozinha. Sem exageros e, finalmente, de forma simplificada: eu os amo. E não é pouco.
Com todo o meu amor, 
para Letícia, Renata, Rodrigo, Suellen e Déborah.