domingo, 4 de dezembro de 2011

Passando muito bem.

Quase um mês sem escrever - talvez esteja aqui para não me permitir um mês sem isso. Aquela coisa clichê de todo escritorzinho amador: sem inspiração. Quer dizer, há no que se inspirar, mas não há o que nasce disso: epifania. Pois é, sem epifanias. Sem tristezas, nem felicidades-eternas-de-um-dia. Tô feliz, tô bem, tá tudo certo. Tô ansiosa, animada. Ao contrário, pela primeira vez - e isso já dura um bom tempo -, não estou quase morta. Estou bem vivinha, e sem epifanias, que já foram, por mil vezes, o Red Bull que eu não tomo. As coisas estão cheias de novidades, eu não me sinto só, eu me basto. Pela primeira vez, eu me basto, e isso é ótimo. Claro que, quando digo "eu", incluo todas as pessoas que amo, porque sou feita de pedaços. Pedaços de um, de outro, coisas todas que eu pego e transformo em minhas. Boa parte delas, eu não escolhi pegar. O que quero dizer é que eu não estou "precisando" de alguém, e esse termo já não se encaixa em mim. Eu não estou precisando, necessitando, esperando, buscando. Eu estou bem e me basto. Sabe o que é se bastar? Não é só ter amor próprio, que isso ninguém nunca tem o bastante - é bom ter pelo menos um pouquinho no estoque. Não é abrir a mão e deixar o pássaro voar, porque se ele voltar é seu e aquele blábláblá... Não é pintar o cabelo e se valorizar. Bastar-se é simplesmente bastar-se. Não tem receita, nem caminho, não tem nada. Um dia, a gente se basta e só. Tanto por adorar estar na própria companhia, quanto por saber - finalmente, na prática - que as coisas passam, mas você fica. Aliás, você passa também, passa a cada dia, a cada minuto, a cada briga, a cada sorriso, a cada tudo. E, como passa, tem que passar direito, de verdade, do jeito que quer, porque de carne mal passada, já basta a do restaurante da esquina.

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