quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Deus - por todos os ângulos.


Não é segredo pra ninguém que eu não acredito em um Deus, em muitos Deuses e em Deus nenhum. Também não é segredo pra ninguém que eu acredito. Sou a típica em cima do muro: agnóstica, muito prazer! Só que esse nome, "agnosticismo", não me agrada. Eu posso simplesmente dizer que "não sei se acredito ou não"? Na minha visão, colocar "agnosticismo" no Facebook é como colocar "Ensino superior: ainda não". Declarar-se cristão, pagão, evangélico, frequentador do terreiro do Isaías ou agnóstico é algo muito - muito - mais complexo do que se imagina. Bom, vou explicar... Eu não acredito, racionalmente, que exista um Deus. Não faz sentido na minha cabecinha. Talvez faça, um dia, lá pelos 40 anos ou até amanhã, mas, atualmente, não faz. Quando algo ruim acontece, meu primeiro pensamento é, "Deus, se você existe, me ouça". Seria hipocrisia me rotular como ateia. Não estou dizendo que todo ateu, quando passa por dificuldades, pensa em Deus. Há os verdadeiros ateus, e há os falsos. Eu seria uma falsa ateia, devido ao pensamento citado. Para investigar o porquê disso, seria preciso conhecer minha infância, saber como meus pensamentos acontecem, blábláblá... Tanta coisa, que eu, como não-psicóloga, não sei descrever. Já chamei a mim mesma de ateia, para quem quisesse ouvir. Mas foi só meu pai adoecer, que peguei a escada e subi o muro novamente - sou sedentária, não subiria pulando. Eu tenho um Deus em mente, querendo ou não, gostando ou não, tendo fé ou não, eu tenho. E não sou fã dele - do meu -, não concordo com boa parte do que ele prega. Meu Deus tem um pouco de preconceito, é branco, tem olhos azuis, sobrancelhas arqueadas quando está com raiva, é velho e, quando não tem mais o que fazer, destrói tudo. Infelizmente, esse é o Deus da minha cabeça. Um que não escolhi, que se construiu ao longo de 17 aninhos, que pregaram na minha mente. Um Deus que, mesmo não tendo muito o meu apoio, surge às vezes, sendo justo e, também, me pondo medo. Assim como existe um Deus vingativo e que discrimina tanta gente, pregado por algumas religiões, há, também, um Deus lindo, que apóia, engrandece e compreende seus filhos. Acho que o Deus da Maria é, de alguma forma, diferente do Deus do João, porque as duas pessoas têm vidas, crenças e princípios diferentes. Tudo que me foi pregado, por anos, não morreu de repente, não desapareceu só porque gritei, "não quero". Assim como construí meu Deus, com uma forma que só ele ocupa, estou aprendendo a desconstruir. Após tirar, parte por parte, essa estátua que pesa aqui dentro, posso construir uma nova, muito mais leve. Ou talvez não precise construir nada. Só saberei com o tempo. Com religião, sem religião, com deus, sem deus, sou a favor de tudo o que me faz evoluir como ser humano. Seja como for, acredito que vou me sentir bem, estou no caminho. E talvez o próprio caminho seja mais importante do que o lugar onde vou chegar.

Um comentário:

  1. Tenho conversado muito comigo a respeito do assunto. Deus. Fui criada para acreditar nele, para ter fé, sem questionar, exatamente por ser esse o sentido da fé. Não há provas, há fé. Isso sempre teve que me bastar.
    Bem, não sei se a idade, o curso que escolhi, as pessoas com as quais me relaciono, não sei bem o quê - mas acredito que é mesmo o tempo o responsável - me fez indagar mais e mais a cada dia sobre uma série de acontecimentos, circunstâncias, contradições, enfim.
    Religião para mim, divide. Se o princípio, a regra geral fosse mesmo o amor, se isso não fosse tão teórico e pouco prático, poderia ser melhor, mas como não vejo muito amor em séries de julgamentos, doutrinas diferentes, castigos, blá blá blá, duvido que seja algo realmente divino, a tal religião, admitindo que Deus é amor.
    Peguei o meu moleskine outro dia, comecei a escrever, era um desabafo e uma forma de organizar as minhas ideias ao mesmo tempo. Muitas vezes, começo a escrever, e daí me vem mais pensamentos, ideias, argumentos, até que vem contra-argumentos e percebo muitas vezes que tudo que eu comecei a pensar ou defender tem as suas falhas, então é o seguinte: Ou eu me convenço de que o pensamento inicial estava equivocado ou eu encontro mais contra-argumentos para os contra-argumentos e fortaleço a ideia inicial. Me entende?
    Foi assim da última vez em que estive pensando sobre Deus. É interessante, fiquei tão chateada por algumas coisas que aconteceram que decidi, naquele instante, não acreditar mais. São 18 anos cheios de motivos para não crer, mas ao mesmo tempo, 18 anos cheios de motivos para crer. E não estou discutindo os mais coerentes, estou apenas admitindo que existem. É complicado demais pra mim, porque mesmo que eu não faça como fiz um dia, quando rezava todas as noites antes de dormir, ou conversava com ele pela manhã, ou agia como se ele estivesse ali o tempo inteiro do meu lado, mesmo que eu não faça mais isso, sempre vai haver um momento - sempre há - em que eu vou dizer: "Oh Deus, por favor".
    Dizem que quando não é mais possível para nós, é possível para ele, e então, ele age. Não é sempre que o vejo agir quando não é possível para mim. Mas bem, nas vezes que deu certo, que houve algo bom, pode ter sido ele. E como não há garantias, eu fico tentando. Quando é por quem amo, por algo realmente importante, mesmo chateada, mesmo sem entender, eu recorro a ele, rezo. Não posso dizer que não acredito, porque por mais falha que seja a minha fé, ela existe.
    Eu acho que acredito em Deus de uma forma diferente, ou quero acreditar nele de uma forma diferente. Mas acho que não está tudo muito bem elaborado na minha mente, acho que eu vou precisar me entender primeiro, me conhecer primeiro, ter uma ideia de mim, para assim poder ter uma ideia sobre algo externo. Talvez eu nunca tenha um desenho perfeito e exato de mim, então não posso esperar ter de alguma outra coisa. Mas rascunhos, também são importantes. Rascunhos nem sempre são descartáveis, e é a partir deles que construímos o melhor, a partir do passar a limpo. Mas isso, também requer tempo.
    Bem, vamos ver.

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