sábado, 22 de outubro de 2011

Um texto para nada.

Acordo. Abro os olhos: é dia. Fecho. Abro: ainda é dia. Minhas pernas têm o peso da inquietude na madrugada, não querem que eu levante - eu também não quero, mas dizem que a gente não faz só o que deseja. Continuo deitada. Sinto que a meia permanece apenas em um dos pés, e o calo do outro ainda dói. Abraço bem forte o travesseiro, penso em lembrar dessa sensação pelo resto do dia, quando vier o cansaço. Vou acordar, pisar no chão, pensar besteira, bater na madeira, ficar zarolha de sono, andar como em início de filme, que a-mocinha-está-dormindo-meio-bêbada - pode ser Butterfield 8. Mas nem bêbada estou. Sento. A cabeça dói, logo passa. Viro para a esquerda, saio com os dois pés. Vem o arrependimento por dormir às quatro da manhã - não como festeira, alegraça, mas vendo filme. Faço de novo. Abro a porta, falam comigo. Viro lacônica, não acordo Emília. Perguntam se tenho raiva: não. Se sou mal humorada assim mesmo: às vezes. Não respondo. Escolho a roupa, olho muitas sem raciocinar. Queria mesmo dormir de novo - não durmo. Depois de todas as fases higiênicas, com chuveiro, escova de dentes e blábláblá, me visto. Lúcida, troco a roupa. Pego todas as maquiagens, passo mais que uma hora pecando em vaidade. Vem o pão. Até que acordo e não sei se estava sonhando. Preciso me olhar no espelho: há lápis nos olhos - da noite passada. Durmo. Acordo. Abro os olhos: é dia. Ainda.

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