segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sobre "Viver a Vida".

Como falei no post anterior, hoje tentarei falar o quanto e o porquê gostei tanto de Viver a Vida. O filme é dirigido por Jean-Luc Godard, com a protagonista Nana, interpretada pela Anna Karina, ex-namorada do Godard. Quando vi o título pela primeira vez, achei que fosse apenas um filme sobre viver e etc. Mas não é só isso. O título, nesse caso, tem duplo significado: viver apenas e ser uma mulher da vida. Nana faz as duas coisas. Sonha em ser atriz de cinema, ser descoberta por aí, de repente, quando não esperar. Tenta fotografar, mostrar ao mundo quem é, quando é perceptível que nem ela mesma sabe. É bonita e pobre. De minuto em minuto, pede 2000 francos emprestados a qualquer um. Mas não é pedinte: é cara-de-pau. Segundo a própria, acaba se prostituindo, porque "é mais cômodo". Ao mesmo tempo, tem inocência, bondade, conquista simpatia, seja medindo sua altura por seus próprios palmos, em uma lanchonete, ou só falando por falar. Em certa altura, Nana conhece um senhor, que lhe conta uma história dos Três Mosqueteiros,
"Porthos, o grande, o forte, um pouco besta, ele nunca pensou em sua vida (...) Então, uma vez ele tem de implantar uma bomba numa adega, para explodi-la. Ele o faz. Ele coloca a bomba, acende-a, e sai correndo, naturalmente. Mas de golpe, ele começa a pensar. (...) Ele se pergunta como ele pode colocar um pé após o outro (...) E então ele pára de correr. Ele não pode mais, não pode avançar. Tudo explode, a adega cai sobre ele (...) ele cede, e morre. A primeira vez que ele pensa, ele morre."




Para mim, essas palavras descrevem toda a essência do filme, que é dividido em doze partes, uma  delas sendo apresentada com a frase "A felicidade não é alegre". Enfim, desde as primeiras falas e cenas, eu já sabia que faria parte dos meus favoritos. Como quando conheço pessoas, eu sei quais valem a pena conhecer, pelos olhos. E os olhos de um filme estão nos diálogos, na pureza, na sinceridade que ele passa. "Adivinhei" o final desde o começo, mesmo assim fiquei um pouco triste - não, não irei falar como termina. Mas lembrei do que Nana falara, "Eu acho que somos sempre responsáveis pelo que fazemos. Somos livres. Eu subo com minha mão - sou responsável. Viro a cabeça pra direita - sou responsável. (...)", e me senti feliz. Sim, é só um filme. E dou extrema importância a eles, porque, para mim, nos lembram como a vida é linda. Nele, não há muita coisa para se entender, mas para admirar. Tem um pouco da beleza do mundo, das pessoas, de Viver a vida mesmo.


Trailer "Vivre sa Vie", 1962.

Ps.: o filme pode ser baixado aqui.

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