sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Surrealismo de Buñuel.

Ontem conheci o diretor Luis Buñuel, nacionalizado mexicano, amigo de Salvador Dalí e grande influência para Pedro Almodóvar. Há umas semanas, li a sinopse de Simão do Deserto e O Fantasma da Liberdade. Coloquei os dois filmes em minha lista, e nem mesmo lembrei que pertenciam ao mesmo diretor. Hoje os assisti. O Buñuel é surrealista - logo, me conformei caso eu não entendesse nada. Primeiro, Simão: achei sem sentido. É um "média-metragem", 43 minutos de história em si. Muita gente deve discordar, talvez eu realmente não tenha conhecimento suficiente para afirmar algo sobre o cinema surrealista, até porque foi o primeiro filme do gênero que assisti. Para mim, nem fedeu, nem cheirou. Depois, assisti O Fantasma da Liberdade e não me arrependi. Bem diferente de Simão, tanto na produção, quanto na história. O que há em comum entre os dois é a falta de lógica. Falta proposital - surrealismo, oi! O filme traz várias histórias, muito diferentes, joga na tela gente-doida-que-parece-normal. E é justamente esse conceito de "gente doida" que é discutido. Buñuel mostra como todas as convenções da sociedade são apenas isto: convenções. Um passo, elas mudam, e tudo pode parecer normal, já que "normal", isoladamente, não existe. Achei uma das cenas genial - sim, todo mundo fala da mesma cena: um grupo de pessoas se junta, em uma mesa, e as cadeiras são, na verdade, privadas (bacias sanitárias, trono, como quiser chamar). Um dos convidados vai ao banheiro, e lá há um forno, onde ele almoça sozinho. O simples fato de trocar uma sala por banheiro alfineta os "valores tradicionais". Enfim, é o filme mais louco e mais criativo que já assisti. Vale a pena ver a cena do jantar:



"O Fantasma da Liberdade", 1974.


Ps.: o filme pode ser baixado aqui.

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