sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Burn II.

Após ter suas coisas, sua mão, suas lembranças queimadas, o fogo abaixou. Ela sempre soube que deveria continuar queimando. Entrou no fogo, tem que queimar. E que queimasse até findar a parafina da vela. Gritavam, "sua mão pega fogo, saia daí!". Ela ouvia. Sabia que não era a hora. A água chegaria leve, sem bater na porta, sem aviso, e apagaria tudo. Mas não era a hora. Em certos dias doía tanto, que parecia ser insuportável. Água chegou. Olhou para si. Sua mão, pernas, tudo seu estava lá, de novo, inteiro. A casa estava diferente, mas o chão era o mesmo. Os tijolos, concreto, gesso, parede, tudo era igual. Queima-se, sim. Dói, sim. Muda-se, sim. E não se deve acabar com o fogo enquanto ainda há algo queimando lá dentro. Que seja errado, que seja incerto, que doa doa doa demais, se ainda queima, deixa queimar. E não desista até terminar. Fogo foi embora. E assim ficou: queimada, mas inteira.

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