segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mar ia.

Maria deitou-se. Rezou. Não adiantou. Naquela agonia toda, Maria se levantou. Foi correndo até o quarto e pensou, "se meu nome não fosse Maria...". Se meu nome não fosse Maria, eu desejaria ser Maria. Como sou, não desejo. Foi ao primeiro quarto. Voltou. Na janela não tinha nada, nadinha. Nem árvore tinha. Triste, pobrezinha, pobre da Maria. Susurrou sozinha, "se na janela tivesse algo, teria...". Pegou um céu azul no quarto da direita: colocou. Pegou pitanga na sala: botou. Pegou gente, rua, casa azul: foi. Olhou. Olhou. Olhou. Cansou. Foi pra cozinha. Pão, mortadela, arroz... O que Maria queria? Não sabia. Pobre Maria, pobrezinha. Olhou na varanda. Sem graça. Calçou o pé esquerdo - tirou. Primeiro o direito. O dia já havia começado - meia noite e vinte. Estrela no céu não tinha. Nem céu tinha. Inventou. Pegou céu, fez poema e amou. Olha, Maria, Maria morrendo amando. Maria queria amar bem muito, de verdade, sem "apesar". Queria sofrer - sem querer -, viver e morrer de amor todos os dias. Não interessava a dor, a faca que enfiavam na sua cabeça dia e noite, a vida doendo toda na mão, o peso nos ombros, a vida sofrida que nem tinha. Maria deitou. Rezou. Não adiantou. Naquela agonia toda, Maria dormiu. Adeus, Maria. Sorria, que Maria acorda, e você vai dormir de novo.

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