terça-feira, 23 de agosto de 2011

Da praia ao trilho.

Sentia o vento batendo entre quatro paredes grandes e imaginou estar na praia. Criou as mesinhas com palha, ouviu o vendedor de sorvetes chucalhando. "José Renato Monteiro Lobato (...). Mudou de nome (trocou o Renato por Bento) para aproveitar uma bengala herdada do pai, na qual estavam gravadas as iniciais JBML." Queria trocar de nome, era isso. Cansada de Célia, do rosto da Célia, do corpo da Célia, do cabelo, das unhas, dos quadris, do intervalo de tempo entre uma piscada e outra da Célia. Tinha que escolher um nome novo. Qual? Lembrou da tartaruga triste que teve, fez uma saia para ela, conversava - jurava que tartaruga entendia -, deu nome. Mas ela gostava mesmo de morar atrás do sofá. Se achou única por ter um bicho que morava atrás do sofá. Mas Manuel Bandeira teve um porquinho da índia que morava embaixo do fogão. Original, não. Continuou lendo, mas cansou. Será que parando no texto pela metade, ela cortava o futuro? Ou o futuro era aquilo mesmo? Sabe lá. Lá que nem chega. Parou nos trilhos e esperou o trem vir. Queria um amor recíproco de deus, queria um monte de coisas, mas nem essas coisas tinha. Célia estava triste. O trem foi. Célia também. Morreu Célia, sem idéia e sem bengala.

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