sábado, 6 de agosto de 2011

Corria.

Eu corria e tropeçava nos próprios pés, me faltava ar e eu nem mesmo sabia pra onde corria, vê, eu nem mesmo sabia. Mas não importava, não interessa, corre pra qualquer lugar bem longe que tenha vida. Perdi as botas, merda! Que botas? Bota que é bota não se perde. Bota que é bota gruda no pé. Mas como pode a gente saber que felicidade está no norte, e ir para o sul? É teimosia, e teimosia não tem direção. Natureza me fez e me fez teimosa. Se eu fosse planta, era planta que esbarram e volta pro mesmo lugar. Mas nem planta eu sou, nem raiz eu tenho, nem fruto, nem nada. Preste muita atenção no que te digo: voe, e voe bem alto. Mais nada, que eu não sou profeta. Mais nada, que eu não sou santa. Mais nada, que eu já disse tudo. Olha, às vezes, a gente fica meio doente. Não se engane com essas maçãs tão calmas, que veneno está nelas e destrói tudo, tudo tudo que vem pela frente. A gente é meio doente, às vezes. Essas coisas todas que puxam e sugam a gente pelas veias e aspiram todo o nosso sangue e não nos deixam sair. Você pode sair, mas você não quer. Você não quer, viu? Você gosta disso tudo e grita "que doa, que doa, que vida que é vida dói mesmo". Você morre de amor, morre de rir, faz tudo errado e sofre e chora e sorri e pega tuas botas de volta, no meio do caminho, e deixa que doa.

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