terça-feira, 23 de agosto de 2011

Céu Chão.

Minha cabeça pergunta a si mesma, "O que passa aqui dentro?". Ela não responde. Eu me impressiono com o quanto meus pensamentos mudam. Estou em pânico, mas fico tão bem. Todo mundo fala, todo mundo acalma, eu tomo remédio, eu durmo, eu como, eu deito. Nada adianta: continuo pirada. Aqui moram umas paranóias. E crescem tão rápido, se tornam moças e rapazes, não cortam mais as unhas, não dão satisfações, ficam gigantes sem pedir licença. Às vezes, escorrem pelos meus olhos, tão inquietas que tremo, batem rápido no meu coração, agitam minhas pupilas, me enfiam umas idéias desvairadas. Não sei o que ocorre, que, vez ou outra, saem daqui. Fico tão quieta, tão minha, tão Bossa Nova. A paz me fura - sim, fura - e me adormece. E vôo, vôo, e meu vestido voa, e meu cabelo voa, e elas dormem, e me deixam. De súbito, a felicidade me invade toda, o mundo é tão lindo, as pessoas ganham brilho nos olhos - porque os meus cintilam também -, a vida é tão fantástica, as coisas, a gente, o tudo parece ser ligado, como se houvesse mesmo alguma coisa que nos organizasse magicamente. Tenho epifanias absurdas, choro de alegria, sorrio, quero abraços, quero beijo na bochecha, quero bobagens das quais a gente ria, o que for inacreditavelmente bonito. Durmo. Acordo esquisita. Onde foi parar o caleidoscópio? Penso que os tempos mudaram, eu mudei, sei lá. Vai, só oito. Só oito, não vai doer, anda logo. Ah, deixe de ser boba, você sabe que nada vai acontecer. Oito. Só oito. Um, dois, três, quatro... Perco a conta. Repito. Isso não muda merda nenhuma, você é louca, você deve ser louca, se controle. Eu sou culpada. Um,... Por que não sei? Um, dois,... Você é louca. Um, dois, três,... Onde eles estão? Um, dois, três, quatro,... E se eles...? Um, dois, três, quatro, cinco,... Oito. Não sinto nada. Não sinto absolutamente nada. Abro a janela, sinto o cheiro da hora: nada. Sou eu congelada. E, de repente, tão de repente quanto qualquer coisa que me acontece, sinto tudo em dobro. O mundo vem, me gira, pega na minha mão. E feliz eu fico, de novo. Até que a confusão vende meus olhos e me mande gritar. Até que a felicidade volte e me salve. Até que descubro: eu não sou uma. E, se sou, ela é louca, mesmo.

Um comentário:

  1. Afinal, a moça da história está no céu ou no chão? O que importa mesmo é que conseguiu transmitir inspiração. Isso é lindo! Beijos beijos. Au revoir. :)

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