sábado, 16 de julho de 2011

Olvidar.

Fechou a porta. Fechou oito vezes. Olhou pra janela. Aquela sensação de que havia esquecido. Brincos? Nas orelhas. Relógio? Quatro e meia. Sapatos? Descalça, ela não sairia. Nua, também não. Menos ainda. Nua, menos ainda. Com bobes na cabeça, não estava. Não, não devia ter esquecido nada. Só sensação mesmo. Como se sensação existisse sozinha. Continuou. Mas, droga, ela havia esquecido. Ela sabia que havia. Mas o quê? O juízo? Não. A cara? Não. A cabeça? Não. Não deve ter esquecido nada, mesmo. Que bobagem. Tudo branco de chuva. Deus esqueceu o sol, deve ser isso. "Deus me esqueceu" lembrou. "Ou você esqueceu deus? Ou ambos se esqueceram, e tudo bem?". Não esqueceu nada. Larga isso da cabeça. E foi. Deixei algo lá, sei que deixei. Eu sei que deixei. Algo me sabe que eu deixei. A bolsa tá cheia, mas eu deixei. Não. Deixa pra lá, deixa isso pra lá. Você não deixou nada. Dormi. Acordei. Espera. Deixei mesmo: fui eu.

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