sábado, 2 de julho de 2011

Isa.Bela.

Chamava-se Isabela. Bela, Belinha, Bel, Bebel, Bê, Isa. Tantas, tantas. Uma só. Isabela era loira e usava trança. Não sempre, que Isabela não era mulher de um cabelo só. Fios bem loiros, lisos e grandes. Olhos verdes, de gato assustado. Era magra e usava vestidos. Naquele dia, era um vestido azul com bolinhas rosas. Quieta, cara de santa, mas nem religião tinha. Isabela era danada. Não era filha do diabo, mas era danada. A mulher tinha casos. Ela lia muito. Um caso com Menino de Engenho, outro com A Visita, até memórias póstumas tinha. Era A Mulher Mais Linda da Cidade. Todo rapaz olhava, mas nenhum era original. "Isabela, você é tão bela". E Isabela vomitava. Quem se acostuma a Quintana, não quer cantada de feira. Como ela queria, não tinha. E ela nem procurava. Era danada e tinha um caso com cada livro. Isso, sem contar os livros que nem terminava. Promíscua, Isabela promíscua. Lia vários de uma vez, e não escolhia um só. Seria queimada na fogueira, era bruxa, Bruxa Isabela. Um besouro voava ao redor de Isabela. Matou. Matou o besouro. Isabela assassina. E matou sem saber qual era. Nem sabia quem era seu inimigo. Isabela distraída. Matou por quê? Incomodava demais. Aquele barulho de "zizizi" em trezentos e sessenta graus. Matou mesmo. Isabela promíscua, assassina, distraída. "Você é bela, Bebel". Era filha do diabo, afinal.

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