domingo, 24 de julho de 2011

Essas coisas perigosas.

Às vezes o vento sopra forte. A boca do vento me engole. E eu sou levada na saliva do vento e me molho toda. Sou eu na saliva do vento achando que é mar. Nem é. Há coisas que doem caladas, e doem mais quando resolvem gritar. Invadem os ouvidos e te deixam doida, doida de pedra, esmagam tua alegria. E vão embora. Tudo fica limpo outra vez. O tempo passa rápido e os dias vão ficando para trás. O fundo é perigoso. O fundo, o raso, todas essas coisas extremas são perigosas. Mais perigoso ainda é quem gosta de perigo. Ficar no raso só te molha os pés, ir para o fundo pode te afogar. Meio, que é bom, a gente não lembra. No meio, sempre há aquele impulso que pergunta: pra cima ou pra baixo? Às vezes, você sobe. Às vezes, você desce. E, às vezes, você escolhe a sua vontade e faz o que quer. Às vezes, fica tudo bem. Às vezes, você se arrepende. O leite derrama e você chora. Você chora tonta, e o leite no chão. Dizem que não adianta chorar. Mas adianta. O leite não volta, mas a gente tenta não deixar que ele caia de novo. O vento vem e limpa o leite. E com leite eu vou na saliva do vento. E penso que é mar, de novo. Mas nem é.

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