segunda-feira, 4 de julho de 2011

Em sal.

Pensava assim:
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Nada. Nada, nada. Mas ninguém é tão delicado, tão docinho. Falta açúcar: pede no vizinho. Sem intenção, pede só açúcar. Que doçura de pessoa. Tão meiga, tão fofa, tão adorável. Bonequinha de pano. Boneca de voodoo ao contrário, enfiando agulha em todo mundo. Olhava pra mão: carne viva. Olhava pra dentro: carne morta. Nada se comparava àquilo. Era uma droga, um troço que meio que não dava pra controlar. Nem contava os "que", dizia sem pensar. Pensava falando. E se perdia. Era gênio, genialidade total. Corria pro mar, melando os pés d'areia, falava tão rápido que fez mar ao redor. Perdido. Perdidinho. Sem nome, identidade, idade. Era um corpo vivo correndo pro mar. Raiva tomou conta. Uma droga, uma porcaria. Teve tanta raiva que correu pro mar. Afogado. Era um corpo morto. Morto no mar. Mar de onda grandeassassina. Nem pediu açúcar: morreu em sal.

Um comentário:

  1. Você escreve muito bem e a forma como escreve é genial. Sabe encaixar uma palavra na outra...feito rimas. É lindo de se ver. Parabéns mesmo! Beijos. Au revoir.

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