domingo, 5 de junho de 2011

Desconexo.

Lembrar de algo, e pensar apenas "era legal", é tão estranho. Sim, porque é estranho lembrar de laços e saber que foram desatados. Tanta gente que foi, tanta gente que passou, deu um "oi", trocou palavras e foi embora, pra conhecer mais um tanto de gente assim. Mas teve gente que ficou. Não significa que, quem fica, nunca mais fechará a porta. Talvez sim. Mas, indo, deixa um pouco conosco. Clichê, é. Verdade, também. Porque entre laços existem manias, palavras, olhares, sorrisos, segredos, troca. Entre laços, há muito. Entre abraços, há mais. Mas falei de abraços, não de "tocar no ombro", não de "beijinhos-de-um-segundo-na-bochecha". Quero liberdade pra ficar em silêncio. Quero liberdade pra não ter medo. Quero liberdade pra dispensar certas bobagens. Quero liberdade, liberdade, freedom, blá blá blá. Quero liberdade de estar junto, tão junto, que se é o outro. Mas eu tenho fome de descrições, me diga as cores, me diga o ambiente, me diga a época, me diga as expressões, da espuma da cerveja, do cheiro imaginado, dos rostos pintados. Mas eu vi o peso do livro e perguntei: seria em gramas ou em sentimento? Porque sentimento pesa, e pesa mais que gramas. Lembrei, agora, de um restaurante que eu frequentava, quando criança. Nele, há um quadro que mostra o próprio restaurante. É propaganda da propaganda. E, dentro do restaurante do quadro, há outro quadro. Assim, prosseguindo. Eu sempre perdia horas olhando e tentando imaginar quadros dentro de quadros. Sim, eu sabia que a intenção era te fazer imaginar, ali. Mas não havia mais nada, além do que a gente poderia ver. Penso: se me olho, sou eu dentro de mim, e dentro de mim, e dentro, dentro, até ser o mais inside possível? Não sei. Mas, como não posso ver tudo, - o que há bem no fundo - imagino. Mas a gente se encanta fácil, como princesa de conto-de-fadas. A gente quer ser princesa. Não quero desenhar em folha, cortar e deixar que outros desenhos ocupem o mesmo lugar. Quero desenhos novos, em folhas novas. Mas, meu bem, é difícil. Porque desenhar dá trabalho. Quero que se desenhe para mim. Quero me desenhar para você. Quero trocar desenhos, sorrir e chorar quando quero. Quero pouco, sabe? Mas parece que é demais. Parece que é demais, porque a maioria acha o mesmo. E desiste. Não irei desistir, de novo. Mas existem pessoas boas: eu acredito nisso. Será que, ser bom, basta? É pouco, e é demais. Vamos, diga: onde é que está o último quadro, mesmo? Está aí dentro, meu bem.

Um comentário:

  1. Sabe aqueles textos que te fazem prender a respiração sem você nem perceber? Você só descobre quando acaba a leitura e solta um longo suspiro. Esse texto me fez prender a respiração. Preciso dizer mais? Acho que não.

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