sexta-feira, 3 de junho de 2011

Cor: ação!

"Sou um coração batendo no mundo " repentinamente, lembrei desta frase da Clarice. Somos todos corações batendo no mundo. Mas, um dia, deixaremos de ser. E o que seremos depois? Apenas seremos, - agora, prepare-se para o lugar-comum - "descansando em paz"? Particularmente, creio que não seremos mais nada. Enfim, quero apenas comunicar o quanto fiquei surpresa, ao lembrar da frase da Lispector. Descobrir - ou redescobrir - que somos um coração batendo, entre tantos outros, é lindo. É lindo lembrar que temos sangue. Sangue que pulsa, circula. É lindo lembrar que acontecem tantas reações, das mínimas às máximas, enquanto apenas escrevo, por exemplo. É lindo lembrar que tenho memórias boas e ruins. É lindo saber que posso ter memórias, que o que vivo hoje poderá ser lembrado amanhã, - a não ser que eu consuma um alto nível de álcool: ato que não farei - que posso, igualmente, esquecer de algumas coisas, e me sentir tão bem ao lembrá-las, como da frase citada. É lindo lembrar que posso repetir que algo é lindo, infinitas vezes. Televisão ganhou cor: não a deixe desligada. Olha: teu sangue pulsando, teus olhos piscando, entre play e pause, entre sorrisos e lágrimas - como se um fosse antônimo do outro! - entre oito e oitenta, como um elevador, indo do térreo ao último andar, se fecha e se abre: olha só! E muito mais bate-e-rebate dentro de mim. Enquanto puder me descrever como um coração batendo no mundo, meu bem, estarei viva. E enquanto estiver viva, viverei. Porque o óbvio, às vezes, torna-se rotina. Mas a única rotina que eu desejo ser é um coração batendo no mundo.
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Obs.: quero comentar, agora, da minha nova surpresa. Nessa semana, conheci uma palavra nova. É uma palavra comum, porém, que nunca havia chegado a meus ouvidos. E ouvi essa palavra, no mínimo, duas vezes, após a primeira. Não quero dizer qual é, apenas para guardá-la para mim, no momento. Mas a usarei, em breve. Com isso, pude perceber como "mudei de ares". Mudei de ares, sim, de certa forma. Pois ouvi uma palavra nova, em sete dias, três vezes. Talvez seja uma observação boba. Mas algo está novo, por aqui. O desejo por novas coisas materiais diminui, ao passo em que novas palavras, livros e sentimentos invadem você. E é ótimo notar isso.

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