sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tac.

"Close your eyes" eu ouvi. Close your eyes, close, c l o s e, close. Mas está perto demais. Perto demais para fechar. Perto do final da história, a gente não quer abandonar o livro. A gente só prefere abandonar quando tem medo do que virá nas próximas páginas. Aí, a gente deixa tudo em branco e escreve do nosso jeito, com a nossa letra, nossos espaços, nossas margens. "E daí se a gente não quiser fechar?" - perguntei. E respondi "Não há nada para ser fechado, pois, nunca, nada foi aberto". E, quando a gente não abre, não precisa fechar. Será? Ou será que a gente fecha antes de abrir? Ou que abre e não quer mais fechar, e não pode mais fechar, e a porta quebra, e a fechadura fica toda enferrujada da gente... Da gente, que abre e fecha tantas portas, e gavetas, que abre e fecha abre e fecha abre e fecha. Eu me fecho pra barulho de relógio no silêncio. Detesto aquele tic tac, mostrando que ninguém está ao seu lado, agora. Que nenhuma risada ou grito escondem esse tic tac. E, às vezes, é até melhor gritar. Tic tac irrita muito. Eu me fecho pra quem entra sem se apresentar, pelo menos, com um dos olhos. Eu me fecho, meu bem. A chave está contigo, acha a certa, e entra. Se você achou, vai conseguir entrar, também.

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