quarta-feira, 18 de maio de 2011

In Pulso.

Acho tão mágico isso de mundo. Olhei pela janela, há alguns minutos, e vi tanto, mesmo em tão pouco. Eu vi crianças brincando, gritando, naquela natureza. Não, não falei de árvores, tigres e do rei leão. Falei da natureza própria, aquela que se desfaz com um "não" e que bate palmas o tempo todo. Sim, eu vi isso. A minha se perdeu um pouco, mas está aqui. E sorri quando encontra a dos outros. Simultaneamente, um carro passou. Eu só pude ver duas mãos pegando no volante, ele estava de camisa azul. Não, não sei quem era, mas alguém o acompanhava. E, sou tão curiosa, que me pego pensando "o que eles conversam? o que eles conversam enquanto, ao lado, essas crianças brincam?" Será que eles falam da vida? Ou só de uma comida que os fez mal? Talvez, falassem de mulheres. Ou de homens. Ou de mulheres e homens. Não vi se era um, ou uma, acompanhante. Gosto dessa palavra, "acompanhante", pois não é feminina, nem masculina, é muito mais fácil escrever assim. Enfim... Sendo um acompanhante, talvez conversassem sobre alguma mulher. Ou do casamento. Será que eles eram casados? E, se era uma acompanhante, será que eles se amam? Ou será que são irmãos? Artigo muda tudo. Fiz questão de não usar, agora. Quase agora. Sobre as crianças, não me pergunto. Elas não escondem nada. Todo seu amor, dado e recebido, se espalhava como fogos de artifício, a cada vez que suas mãos batiam, e elas gritavam. E gritavam, tão felizes. Elas estão a meus olhos, eu as vejo claramente. Adultos, não. Eles se escondem nos carros. Eles usam películas, eles vêem por dentro, não deixam que vejam por fora. Será que sou adulta? Não sei. Devo ser, algumas vezes. Tenho epifanias - e são boas, justamente, por tão raras - tive uma, ao olhar na janela. Epifanias não avisam, elas abrem a porta e se acomodam. Eu ando tão estranha, a última epifania que tive, antes da atual, foi ao ler um pouco de Lispector. Ela sempre me deu epifanias. Falei de atual, mas não existe epifania atual. Não apenas uma. Toda epifania vive. Epifania é vida, meu amor. Epifania é sentir tua vida, tua, toda tua, somente tua, pulsando em você, viva em seus dedos, unhas, dos pés à cabeça. Epifania é se sentir, meu bem. Por isso que epifania é tão bom: a gente quase nunca se sente. Eu vou prosseguir, eu posso prosseguir. Eu tenho epifanias, às vezes, ao ler, ao olhar na janela. Essas coisas fazem com que eu me sinta, e eu me sinto tão bem, verdadeiramente, bem. Dicionário nenhum vai te dizer o que é epifania, amor. Você vai saber quando sentir. E é por isso que não poderá descrever. A gente não descreve o que sente - Bum! É, eu não descrevi nada, eu não disse nada. Eu escrevo o que penso, e o que penso vem do que sinto, mas o que sinto, vai saber de onde vem... Eu disse que voltaria, quando sentisse vontade. E voltei, voltei! Se vou embora? Não sei. Mas eu voltei, e, agora, me sinto. E me sinto tão bem. Agora. Agora passa. Não sei qual será meu próximo agora. Mas agora, de novo - pois não existe só um, nem mesmo um - me sinto. Eu quero aproveitar isso, eu quero aproveitar esse impulso. Quero, como a gente se empurra, nas águas, pra nadar melhor. Que, uma hora, impulso acaba. E a gente não nada, até recuperar o fôlego. A gente não gira, mas tudo gira ao redor da gente. Não faz sentido, não. E eu ando sem saber.

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