sexta-feira, 6 de maio de 2011

Branco.

Cheiro de amora. Eu achei que estava sendo de uma forma, mas era de outra. De outra, não daquela. Não da que eu queria, não assim, não verde, não rosa, não com trufas. De outro jeito. Ah, mas que besteira. Deixa ser, é bobagem. O que não é bobagem nessa vida? Pouca coisa. Quem garante o quê a quem? Nem entenda. Nem eu entendo. Eu olho pra você e vejo calçadas marrons, cheias de divisões. Não era pra rimar, mas acho que rimou. Mas você me olhou, naquele dia, e disse tudo que eu queria te dizer, e não podia. Eu fingi que não ouvi, mas eu ouvi. Eu não sou boba, só quando quero. Você também não é. Sei que está tudo sem sentido, branco, como se estivesse limpo. Mas não está, só joguei tinta em cima. Parece novo, não é? Mas não é, não. É velho. Eu tiro a tinta e mostro pra você. Isso é muito fácil pra nós dois. Digo isso porque conheço você, apesar de não me conhecer muito bem. Eu me surpreendo. Enfim, senti que alguém sabia de mim. De tanto que eu tentava me esconder, e ninguém queria me achar. Escondia a toa, na boba, é bobagem, como já falei. E quem se importa? Sou rosa escondida, seja lá o que for.

Um comentário:

  1. De tanto que joguei tinta por cima, de tanto que teimei em disfarçar o que era antigo, esqueci que o era. Me perdi no que eu mesma pintei. Agora tudo está como era, velho, antigo, à mostra, ou melhor, simplesmente não está. Acabou. Vou ter que pintar de novo, agora devo encontrar outra parede, outro que queira pintar comigo, ou que me estimule a pintar o velho enquanto mais uma vez, nada muda. É só mais uma capa, é só mais aparência, enquanto na essência, está tudo aos cacos.

    Belo texto, Manu.
    Beijos e saudades,
    Débora.

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