segunda-feira, 9 de maio de 2011

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Sinto-me cada vez mais doentia. Você deveria saber, mas não. Nem vai. Eu sinto cada vez mais raiva. De mim. Sete vezes, sempre a mesma. Não, eu não vejo mais muito sentido nas coisas. Eu me sinto alegre, sim. Eu me sinto animada, sim. Eu quero sorrir, sim. Mas há muito sem cor, esqueceram de pintar o resto. Aí eu lembro que adorava colorir aqueles desenhos de bonequinhas sorrindo. Não havia bonequinha triste, mas eu tinha que ser diferente. Já me disseram isso, e eu não esqueci. Arco-íris desbotado não destaca. Eu era bonequinha, minhas roupas estavam avessas, meu sorriso estava de cabeça pra baixo, minhas esperanças estavam tortas, mais tortas do que as cópias que eu tentava fazer. Eu era branca, eu era preta. Eu era grande, eu era pequena. Eu era larga, eu era estreita. Eu era adorável, eu era malígna. Em mim cabia um pouquinho de tudo, e eu não me decidia. E peguei essa mania: aumentar e diminuir, ir pra frente e pra trás, sorrir e chorar, até que alguém venha me colorir, e me deixar bonequinha, de novo. Use seus sete tons, suas sete vidas, mas não desista de me colorir. Muda a página, muda a cor, muda, mas não desista de me colorir. Compra outro, joga fora, enjoa, desenjoa, mas não desista de me colorir. Amanhã vai estar melhor. Se você tomasse vida, qual seria o gosto?

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