segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ah.

As pessoas deveriam ser mais práticas. As pessoas deveriam ser mais elas, digo. Deveriam se permitir mais, e dizer mais, e sentir mais. Fazer mais isso, e menos aquilo. Eu tenho feito mais disso. Muito mais disso. "A gente deve aproveitar" já dizia alguém. E eu ouvia, bem atenta. Ouvia e guardava, guardava com marcador. Abria e estava na mesma página. E era bom, deixava uma folha no livro, pra parecer que havia caído, de repente. Como se eu houvesse lido o livro em outro lugar, outras épocas. Como se eu fosse do livro. E pensei, em outro instante, que estranho isso de se fotografar, não é? É você por você. E quem sou? É it por it. Sou eu que seguro a câmera, e sou eu a fotografada. Dá pra ser duas coisas, olha! E sou a mesma em ambos os casos? Ou sou duas: a mão que segura e o rosto que vê? É bom. É bom. É bom, mesmo. E me guardei naquelas fotos. Fotos, sim. Retrato é muito velho, e eu sou jovem, baby. "Eu devo ser jovem" venho dizendo. Já dizia alguém que, assim como os olhos piscam, a gente deve pausar também. Eu pausei, e estou de volta. E pauso de novo, e volto, e pauso. Sou cheia de "e", não gosto de "mas". O único "mas" sou eu. Eu devo muita coisa a mim, e venho devendo, e me obrigando a pagar. Vou ler o livro, de novo, e jogar aquela folha fora. Vou abrir em outra página. E quem dizia era eu.

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