quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Incontrolável.

- É, assim que minha mente é: incontrolável. Como eu odeio isso! Só penso em você.
- Poupe-me dessas mentiras. Dai-me paciência. Então, ao mudar de canal, pensa em mim? Ao conectar a televisão à tomada, pensa em mim? Ao pisar em bosta de cachorro na rua, você pensa em mim?
- Penso.
- Jura? E o que pensa?
- Penso que seria mais divertido pisar em bosta de cachorro, com você ao lado. Por que você riria de mim, e eu riria pelo mesmo motivo. Não ficaria gritando "que merda", usando meu pleonasmo no meio da rua, às 12:30 de um sábado.
- Você improvisa bem.
- Eu sei.
- Olha, vou te confessar uma coisa: toda vez que desligávamos o telefone, eu me perguntava por que você me envolvia tanto, e o porquê de não querer que a ligação houvesse terminado, e fui criando tantos "porquês" que comecei a duvidar de tudo: eis o que sou hoje.
- Por quê?
- Não brinque comigo. Sou quieta, mas sei ser infernal.
- Demonstre.
- O que faria se eu te beijasse agora? Gritaria "que merda", às 21:30 de uma quarta-feira?
- Não. Eu gritaria se você não fizesse isso.
- Então comece.
- Por que és assim?
- Porque adoro te ver irritado.
- Sempre começamos brigando e terminamos sorrindo.
- Eu não estou sorrindo.
- É que ainda não terminou.

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