segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Adeus, tome um sorriso!

Eu tinha toda uma imagem de você. Não sua, de você. Era muito bonita, muito bela, muito muito muito. Cheia de defeitos, sempre foi, mas era linda. Era a equação "Eu + Você = Nós". E o resultado era mais bonito do que só "eu", ou só "você". E, de certa forma, "nós" era muito mais "eu". Enganei-me ao desequilibrar, porque era 90% de "eu" e 10% de "você". E, desses 10%, só 4% era seu. O resto tirava de mim, da minha mente apaixonadamente fantasiosa. E eu me sentia "nós" toda vez que te via. Sabia que nós, realmente, nunca seria equilibrado, mas adorava imaginar que poderia. Olhar para você era olhar para um espelho. Por isso, nunca te vi de verdade e, se me perguntarem, não conheço. Não conheço mesmo. Nunca vi. Só me vejo, em tudo que faço, é um egocentrismo desgraçado. Todo mundo deve ser assim também, e acho isso porque me vejo em todo mundo. O maldito egoísmo novamente. Não te culpo, sabe, você não é como eu gostaria que fosse, você é o que é. Talvez até seja o que vejo, mas está congelado, a capa não quebra mais. E eu me sinto tão feliz sem você, porque o "você" saiu, então ficou Eu = Nós, e não me sinto mais sozinha. Sou eu, completa,. inteira, livre, cheia de vida, como nunca estive. Eu tinha muito pra te dizer, mas guardarei pra quem souber ouvir, sem jogar fora. Aqui vai tudo o que eu te diria, agora: estou bem, posso dizer "adeus" sorrindo, correndo pra mim mesma. Meu espelho nunca vai quebrar.

Um comentário:

  1. Te deixo palavras de Caio Fernando:

    "Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"

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