domingo, 28 de novembro de 2010

Três pontos...

  ... Eu sempre te olhei. Tu não vistes. Ou viu e fingiu que não. Ou fingiu que não, mas viu outra coisa. Mas eu lhe vi e nunca mais parei de ver, mesmo de olhos fechados.
- E o que queria?
- Queria, assim como quero, suas mãos com seus dedos curtos, sua vida desequilibrada, seu eu escondido, seu olhar perdido, seu andar forte, sua forma de inclinar as sobrancelhas, seu jeito de cruzar as pernas ao sentar, sua mania de mudar sempre e continuar igual, sua perca de tempo e ganho de vida em não crescer, sua fé, sua esperança de sorrir enquanto chora. Eu quero você.
- Não diga isso.
- Por que não?
- Não sei lidar sequer comigo...
- Ah, você fala como se eu soubesse. Se eu soubesse, não te saberia, nem te queria. Acha que não sei quem és? Vou pelo mesmo caminho de merda porque quero.
- Você poderia ser mais delicada, não?
- Quer a verdade? É essa. Toma, toda tua. Tá nas tuas mãos. Eu te quero e tua presença me basta. Não preciso te beijar, basta te ver, de longe, de perto, que seja. Só quero continuar te vendo, na realidade. Peço que não se vá.
- E se eu precisar ir?
- Aí você esfria dentro de mim, mas não vai se perder.
- E se eu não for?
- Aí eu te dou mais de mim, até, quem sabe, ser inteiramente tua.
- Como isso começou?
- Com três pontos. Eu deveria saber que tudo que começa, sem ter começado, que na verdade só continua, termina sem terminar também. E some, e se perde, mas não acaba.
- E como terminará?
- Com três pontos.
- Que três pontos são esses?
- São teus e se tornaram meus. Só que pra mim, tem outro significado: o primeiro ponto sou eu. o segundo ponto é você. o terceiro ponto, o final, é de nós dois...

2 comentários:

  1. Emanuele, excelente a tua escrita.

    Gostei muito. Você transmite muita honestidade no que escreve.

    Beijos

    Carla

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