terça-feira, 30 de novembro de 2010

Searchar.

- A senhora sabe me dizer onde fica a sala 305?
- Não tenho certeza, mas acho que fica à direita.
- Certo, obrigada. - Seguiu à direita, e não era. Parou, novamente, e perguntou a um senhor.
- Com licença, onde fica a sala 305?
- Creio que à esquerda
- Obrigada. - Seguiu à esquerda, e não era. Parou, novamente, e perguntou a uma jovem.
- Onde fica a sala 305?
- Acho que no andar de baixo.
Então, ela desceu. Procurou tudo e não achou. Parecia que havia sumido, desaparecido, ou era só uma armadilha para continuar procurando, mesmo.
- Não acho, não encontro, não existe. O número deve estar errado, ou, quem sabe, eu, talvez. Eu não sei que natureza é essa, a minha, que não se contenta em parar no meio do caminho. É como se algo me puxasse, sei lá para onde, e dissesse "vem, é por aqui. não é tua sala, mas é tua".
Ela seguiu em frente, só seguiu. Sem perguntar a ninguém, sem saber pra onde ia, seguiu ela mesma. Voltou ao início, de onde começou sua procura. E estava ali. Bem na sua frente: sala 305. 
- Estou feliz por achar? - Perguntou-se.
- Não. - Respondeu-se.
- Estou feliz por continuar, sabe? Eu tenho essa mania imbecil de falar sozinha, de ser feliz sozinha, de ser triste sozinha, de ser tão sozinha, assim. Achei que a sala fosse mais bonita. - Ela achou, sim. E continuou perdida.
- Meu nome é tristeza. - E saiu feliz. No final, a gente sempre procura o começo.

Um comentário:

  1. Emanuele...

    Um texto que dá o que pensar... Pensar que toda busca está contida no início, que não olhamos direito da primeira vez.
    Ou então que só conseguimos encontrar porque percorremos tantos corredores, e ao voltar, somos uma pessoa diferente daquela que iniciou a jornada.

    Beijos

    Carla

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