quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dúvida

Penso que a vida é extensão do mundo
E que os fatos independem dos que os vivem
Mas penso, então, que assim me renuncio
E anulo toda a minha existência
E anulo a existência inteira de todas as
Gentes do mundo (o que se estende nessas
Próprias gentes)
Para quê existo, então?
Para quê serve minha alma em meio
Às outras?
Para quê servem as outras almas junto
À minha?
Tenho uma só alma, ou sou também os outros,
Unidos pela empatia?
Sinto que o mundo é um encaixe perfeito
De peles, e bocas, e peitos,
E de coisas fofas, e horrendas, e loucas,
E sem sentido algum, por isso que perfeitas
Mas, mesmo assim, prossigo sem saber
O que existe em mim que jura ser
Alguma coisa;
Que jura existir, seja lá o que isso for
E jura ver outros com a mesma dor e
A mesma angústia que uma dia se perguntou:
O que sou eu?
E nunca mais parou ou fugiu
Da agonia.

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