quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dos delírios aparentes

Meus olhos me enganam e
Enganam minhas filosofias
As coisas reais sufocam, cegam
Meus abstratos sonhos coloridos
Sonhos com cor que os olhos deram
Àquilo que não tem cor e é invisível
Como o vento mais clichê de
Todos os poemas desde que alguém
Se acha poeta e cristão.
Antes de Cristo, antes de Aristóteles,
Poesia não tinha nome e era
Essência pura na alma de um homem qualquer;
Era como o gato que brincava na rua do
Pessoa, e não ganhava cor alguma que
Os olhos vissem, pois cor não se chamava cor
E olhos não se chamavam olhos
- o que não impedia que os mesmos me
enganassem
mas com certeza não enganariam
minhas filosofias, porque eu não teria
filosofia nenhuma;
eu viveria sem cor
sem nome
e sem pensamento confuso -
O problema de tudo é que meu raciocínio completo,
Mesmo que vazio, está errado
Desde o princípio, está errado
Eu não posso afirmar que sonho não tem cor
Ou que é abstração
Só posso afirmar, porém, que não tenho sonhos;
Que, se os vejo, eles não existem.
Só eu existo, aliás, em meio ao nada
E às incertezas da vida inteira
Enganando-me todos os dias
Cega de mim
Numa vaguidão sem fim.

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