sábado, 13 de abril de 2013

Quarto pós-fato

Quantas vezes este quarto não ouviu teu nome?
Se paredes têm ouvidos, as minhas já ficaram surdas
E não suportam mais o mesmo homem.
Quantas vezes este quarto não guardou teu cheiro?
No meu cabelo, no travesseiro.
Quantas vezes viu o teu retrato?
O quanto o quarto decorou teu rosto?
E quantas vezes te deixou exposto?
Quantas mil noites não me viu insone?
Com o pensamento em ti, no mesmo homem.
E quantas portas aguentou batidas?
O quanto o gesso não colou feridas?
O quanto me ouviu contigo ao telefone?
E quantas vezes não ouviu minhas crônicas?
Quantos poemas meus já não conhece?
Com as mesmas tônicas, as mesmas preces.
Quantas pisadas bruscas, apressadas
Não sentiu do meu pé?
E quantas vezes não perdeu a fé?

Não sei ao certo
Mas sei que foram muitas
Muitas as vezes que este quarto me viu
Sonhar contigo
E por mais vezes não te recebeu
Ficou dezoito dias em profundo breu.

Eu não sei quantas
Mas foram muitas
Muitas as vezes que este quarto ouviu teu nome
E serão muitas
Muitas mais vezes
Que ele não ouvirá novamente
Pois este é o último dos meus escritos
E eu não lembro mais sobre quem falo.

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