quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Poema sob o corpo ou Entre o real e a fantasia

à loucura, que gentilmente me visita todas as vezes em que eu escrevo

Respiro como se tivesse gripe
mas não
o que me entope é o meu
próprio nariz (a minha estirpe)
que me impede de ser mais feliz
que me impede que a boca diga
aos olhos o que devem
ver

Mas que fazer?
só sei que não me sinto bem
- fisicamente bem -
talvez tudo isso tenha
a ver com a alma
ou com o carma
sabe-se lá

Iemanjá não respondeu
minha oração
e o coração já se
perdeu pelo meu corpo
batendo agora
bem agora
em meu braço direito

Saiu do peito
se perdeu doido por aí
o engraçado é que com ele
eu me perdi
com duas pernas
dois braços
e uma cabeça

Um órgão só fez com que de tudo eu esqueça
foi se jogando para
as coisas que eu escrevo
e do meu braço quer sair para
esta folha
fazendo bolha na minha pele
e gritando: "me escreva junto
e, depois, morra"

É nessa zorra que
me encontro todo dia
e eu só queria
na verdade
o que eu pedi em oração:
mais coração pra eu saber
que não é em vão
que o meu bate

Que o disparate
de eu me sentir sozinha
é coisa minha
e de algo que eu espero
(que o que eu mais quero
em mágica me apareça - puff! -
e mude minha ideia)

Que a onomatopeia
seja a fumaça da magia
mas eu queria, na verdade,
que as linhas de minha mão
fossem sinceras
como leu a Alice

Que a imundice desse mundo
morresse logo
que decorassem a igreja
enquanto rogo
mas, na verdade, eu só queria
que o padre ouvisse
os meus pecados

E me dissesse que eu não havia endoidado
que astrologia
tarot
e quiromancia
são coisas de deus, também
mas que o que vale
é o coração
do meu braço direito

É ensiná-lo que foi feito
para o peito
e não para
a taquicardia:

Era

isso
que
eu queria

Mas coração me matou já
e está aqui, todo nu
ele que escreve
e finge ser a tal Manu.