sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dos quereres


quero ser feliz; quero ver Hitchcock, à tarde; quero decifrar símbolos; quero entender a cobra coral verdadeira; quero ler sobre a lua; quero fotografar a lua, com lente 50mm; quero terminar meu circo de papel; quero completar minha coleção de dvds; quero a coleção Hollywood; quero prosseguir na crítica cinematográfica; quero viajar pro país dos espelhos; quero mais Bergman; quero abraçar um pug; quero abraçar o Baby Sauro; quero abraçar quem gosto, todos, no mesmo dia; quero falar sem rodeios; quero querer mais; quero paz; quero calma quietinha, na cama; quero arte exagerada, sem pausa, jogada na tela branca; quero tv desligada; quero ouvir Rihanna, sem culpa; quero dançar Bach; quero ler, ouvindo Bach; quero reler Senhora, sentir angústia ameliana e, logo depois, ficar feliz-feliz; quero pintar as unhas de vermelho; quero lembrar a paciência de pintar as unhas; quero usar saia rosa; quero dormir; quero analisar sonhos; quero me encontrar, no meio das tantas outras que sou; quero me perder em mim; quero que o medo do clichê se dane; quero ser mainstream; quero ser underground; quero ser brega; quero apertar as bochechas do Woody e dizer que o amo; quero desenhar a lápis; quero correr pelo bosque verde, de batom vermelho, com o cabelo e o lenço nude, amarrado no pescoço, esvoaçantes, em câmera lenta; quero ler Pessoa e me encantar; quero ajeitar a pontuação; quero parar de querer ajeitar a pontuação; quero pintar; quero tudo que não cabe num texto. quero querer quereres bem bonitos, bem coloridos. quero ser feliz, do início ao fim.