domingo, 14 de outubro de 2012

Orgasmo na matiz



eu quero sintetizar toda a minha compreensão de mundo em um único texto: pode? e deus respondeu: depende. onde o texto começa e onde ele termina? e deus era o sócrates, aprendido no segundo ano do ensino médio, com o dedinho indicador levantado pra o alto: deus era jesus, sócrates, deus era Lula e dizia: lá em cima é o inferno, lá embaixo é fogo puro; céu não tem pra hoje, não. ui, que quentura nas partes deu nela, na menina! ela gostava de quentura, de fogão aceso e tal. e se ela botasse uma parte de seu fígado - o que de melhor há nela - em tudo que fizesse? sim, porque só queria ser naturalmente freudiana, timburtiana, kaufmaniana, doidinha, e acreditava piamente que falar sem advérbios era ser ela mesma: nunca estava bem gripada, nunca estava super feliz, nem bem puta, nem extremamente agitada, nem... mas, ainda assim, gripada, feliz, puta, agitada e o diaboA4. o jeito era fugir! fugir de quem? dela, ora! então, era preciso correr do mundo todo. a bichinha, polimorfa, queria sentir mais que entender, ser mais clarice, mas era pirada pra caralho, estava mais era pra woolf, mesmo. enfim, correu, sem beira, eira e bananeira, pra qualquer lado, já que o báratro estava em todo lugar - até dentro dela. ela, a polimorfa, era o broche de criança, em formato de cabeça de porco, que a mãe guardara; era o primeiro filme visto no cinema; era a dor intestinal da sexta-feira; era o oi, tudo bem? como vai sua irmã? trocado com o colega; era a proposital falta de aspas, que impedia a posse de fala qualquer; era o menino que dela gostava; era o menino que dela não gostava; era a (in)correspondência trocada com a sociedade; era as unhas grandes dos pés da mãe; era a vida, era a morte, era o tudo e o nada de 2008; era o primeiro dente arrancado; era a terceira injeção na gengiva; era a vizinha cartomante adivinhando seu futuro pela janela; era a chuva na sacada; era o beijo-só-mais-um; era O beijo; era a boca colada na boca do outro; era fálico; era sincero, era lhano, era espanhol; era réquiem; era a era do arraso; era uma casa escondida entre as pernas; era carne, era frango, era peixe, era bosta. e se deslocou toda, mas fugir... que nada! até na morte, viu o jorro da vida.
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"corta! corta o coração dela!" gritou. foram todos ao almoço, menos ela, que interpretava ainda, tadinha, sem saber parar. mas ninguém entendia.