terça-feira, 11 de setembro de 2012

A moça impossível

Imagem retirada do Dolce Far Niente,
de John William Godward
Minha barriga vira gelo
Não sou tua escolhida
Mesmo após o meu apelo
Não me torno tua saída

Ao contrário, sou entrada
Para tua nova querida
Te apresento à tua amada
Por mim ela é concedida

Depois que percebo, grito:
Como eu ando arrependida!
Tem que sofrer teu espírito
Se a paixão não for rompida

Vou te fazer de boneca
Acabar com tua vida
Tirar até tua cueca
Te deixar toda despida

Vai ser forte minha macumba
Não terás sequer comida
Vou te empurrar na tumba
Ficarás mais que falida

Ai, pena eu não ser cruel!
Sou mesmo é compadecida
Tenho meu lugar no céu
Não me arrisco a ser punida

O auge que ainda penso
Dentro dessa investida
É queimar um só incenso
E esperar ser aturdida

Por uma sorte surpresa
Que me torne suicida
Desse amor que quebra mesa
Que me deixa desnutrida

E, se morto, leva junto
Perene moça sofrida
Que, por culpa do bestunto,
Faz do difícil a guarida

Aceita o próprio engano
Segue amando a proibida
Pois correr um oceano
É impossível corrida

É simples, não cansa a perna
Por nem ser dada partida
É a utopia eterna
Daquela: incorrespondida.