quarta-feira, 13 de junho de 2012

Desf(l)orra

Como a folha toda
como vaca no pasto
passo mal ignoro
a dor que eu mesma gasto
comprando o que não me cabe
querendo ser pequena
mesmo grande por dentro
não me aguento vomito
as palavras a dor o palmito
que eu jogo na mão da minha
p(o)etiza perdida transfigurada
na cara da decência sem dono
algum pra salvar o que já fui
hoje sou resiliente do que
nem mesmo conheço mas
não me vejo também no espelho
no apreço do único alguém que
eu quero que
eu espero que
eu mereço
imploro castigo a deus rezo
terço pra não deixar impune
a maldade tua em não me amar
mas não tenho resposta
desespero em meio ao berço
que vive a criança fingidamente morta
que fecha os olhos quando o pai abre
a porta pra não responder pelo
copo quebrado no dia anterior
ao que te amei burra esmaguei
a flor que era pra tu na raiva
e quis ressuscitar no copo com
água mas jeito não teve morreste
e junto levaste o que de mim
sobrara:
tu apenas mais nada
eu era tu sem saber
eu era tu te querendo
num narcisismo exacerbado cego
doido pra amar teu cabelo
exagerado e masoquista
feito martelo no prego
mas que sozinhos não têm função
chorei tanto que deus não me
respondeu foi dormir me esquece
e o castigo eu mesma escolhi
é te privar do que eu sinto
é esconder no meu recinto
tudo que eu queria dar
a flor, o medo, o absinto
jogar no rosto um sorriso
e fingir te ignorar

(mas dentro
fundo
eu piso e tento
no teu espectro mais que vivo
te matar
mas como flor que és esquivo
de te ver em mim nativo
denso ou tenso
ressuscitas e m(e)olhas
e eu tudo esqueço
viro do avesso a minha
raiva em
aviar
voo contigo pelo mesmo
novo caminho e enveredo
ainda que sozinho no céu
converso com deus até com
passarinho de novo e pergunto
porque me evitou
sondo se era pra te amar
mais uma vez quem sabe
ele não tem cara de pergaminho
e eu sem saber falei
baixinho
pra ele não me
escutar: acaso é mesmo coisa
divina)
.