sábado, 14 de abril de 2012

Epifania marítima

À margem dos abrolhos prosseguiu
mesmo que dura fosse a condução
e que revolto o mar, o rio, o lago
se até no açude existe contramão

andou na fina linha imaginária
se equilibrou n'areia, em firme chão
jazeu no que impossível parecia
largou o que censura a emoção

achou em cada afogo um espelho
e admitiu sua face-assombração
deixou todas as boias e coletes
pra conhecer-se na imensidão

que é o homem grande, infinito
e em meio às ondas viu-se refletido
sozinho agarrou forte a própria mão

tirou do seu martírio a pura vida
deixou na dor a antiga expressão
não mais seria náufrago na ida
na volta engarrafou a solidão:

que outro a ache
e que outro saiba perdê-la.