domingo, 29 de abril de 2012

Casa própria de si

Renegando o meu apreço
rezo o terço
faço a mala
juro que não vou voltar

mas desisto
e desisto coagido
pelo meu feliz perigo
que me obriga a respirar

te dedico
a minha vida e o berço
do amor que eu esqueço
sempre vai recomeçar

amanheço
dia lindo reagindo
já desfaz o grande limbo
e agora vem trançar

o cabelo, na finura
dos teus dedos
apalpando o que eu careço
e me fazendo gostar

dos rebeldes
fios da minha cabeça
que viraram pelo avesso
essa dor em adorar

há de um lado
o meu espesso pecado
o trajeto sempre errado
e do outro há o lugar

bem comum
aos que condenam e julgam
no tropeço dos seus mundos
o distinto caminhar

cristalizam
as pedras que não dão sorte
quem quiser que se entorte
não atinge o seu andar

pois às rochas
eu mesmo dou arremesso
e assim já no começo
volto a me desajustar

ofereço
para todos que conheço
o autêntico endereço
em que o amor vai morar:
casa própria de si.