segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Deixando que a vida me TOC.


Sei que o título deste post parece o de algum livro de auto-ajuda e, de certa forma, tem a ver com isso - apesar de não gostar de todo o "palco da vida" que Augusto Cury constrói em suas páginas, nem do exagero de Pollyanna Moça. Eu tive medo de escrever o que você irá ler nas linhas abaixo, mas, como diz um clichê, "Coragem não é a ausência do medo, mas agir apesar dele". E o lugar comum é verdadeiro. Sem mais enrolações, começo falando sobre rituais. A palavra "ritual" sempre me traz à mente a imagem de uma galinha depenada ou de alguém que espanca a si mesmo, mas não faço nada disso. Meus rituais são, em geral, invisíveis para os olhos alheios. Eles me aliviam, ao mesmo tempo em que não findam. Às vezes, preciso refazê-los. Às vezes, perco muito tempo. Eu não sou fã dos cálculos, mas sou dependente dos números. Eu tenho Transtorno Obsessivo Compulsivo e não sei se algum dia estarei completamente curada, mas simplesmente tentar melhorar, nem que seja um pouquinho, muda tudo. Os que sofrem de TOC não são loucos, porque não têm nenhuma alucinação e sabem que os medos não possuem lógica. Acho que muitos têm medo de aceitar, expor e tratar. Não, você não precisa falar por aí que sofre de TOC. Eu estou fazendo isso porque, aos poucos, consegui notar que é um transtorno, como qualquer outro, e há muito tempo já percebi que não me faz nada bem. E eu gostaria que mais pessoas percebessem o mesmo. Tantos outros transtornos existem, e muitos que os possuem permanecem isolados, deixando que aumentem. Enquanto os que não passam pelo mesmo, os "normais" (entre aspas, já que ninguém é normal de verdade), julgam os outros. Eu sou muito feliz, apesar de contar meticulosamente tudo que faço e de ter muitíssimos medos aqui dentro. Tenho estado ainda mais feliz por ter coragem de tentar mudar. Há graus piores e, se eu não começar a controlar agora, a tendência é que piore. Eu me livrei de algumas coisas, mas outras tomaram o lugar. Eu quero, mesmo, que o impulso, o pensamento, não exista mais. Eu não sei se isso vai acontecer. Por um lado, sou otimista e penso que sim. Por outro, lembro que isso é tão meu, desde que nem me entendo por gente. O fato de saber que não é real não faz com que eu me controle. Não me faz ter plena consciência, lá dentro, de que não sou responsável pelo mundo, e de que não sou fraca ao ponto de não conseguir fazer algumas coisas. Quando criança, eu não tocava na areia do parquinho, e às vezes parece que o mundo nunca me tocou de verdade, que não o conheço, que não me permito isso. Eu quero mudar, mesmo que seja difícil. Estou colocando em prática o que, internamente, sempre achei: se você me julga, se não me aceita como sou, não precisa aceitar. Tenho família, amigos e pessoas maravilhosas, que me entendem e apoiam, e isso me faz muito bem. Sei que, como eles, existem mais pessoas com um caráter tão bom quanto, apesar das frutas estragadas que se espalham. Para mim, o ditado não vale: uma fruta não estraga a outra. Quando a tal fruta possui boa formação (não achei outro termo, ok?), ela não se corrói. Então, se quiser me julgar, pelo que for, o problema é todo seu. De pessoas que só olham o rótulo, eu não preciso por perto. Mas, se você é um desses, veja pelo lado bom: sempre há alguém que precisa dos que olham a parte de trás dos inseticidas.