quarta-feira, 8 de junho de 2011

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Sou uma andorinha azul. "Andorinha", palavra mais comum, né? Também acho. Mas sou andorinha azul, ninguém escolhe. Andorinha anda calma e alegre. Mas eu buscava algumas coisas tão pequenas. E eu já tenho. Sim, eu tenho. De pó vermelho, sandália prateada, risada, telefone, barulho, silêncio. Já tenho. "Mas não provoque o leão e depois saia correndo" pensei. Que bobagem. Mas não vou me repetir, de novo e de novo. Lembrei agora dos tipos de sonhos que geralmente tenho. Sonho que Freud é Freud, se transforma em Clarice, e usa a aparência do Schopenhauer. Foi um exemplo, sim. Mas acho que sonho imita a realidade, às vezes. Se não for sinônimo dela. Um pode se transformar em dois. Ele se transforma. Ela se transforma. "Mas você está tão diferente, tão diferente" dizem, infinitas vezes. Realmente não quereria estar igual. Mas. Não deu saudade. Isso é possível? É. Agradável. Saudade não deu, não. Mas eu sei que, se olhasse pra você de novo, eu seria a mesma para sempre. Mas não vou fugir disso, nem vou correr como quem quer o primeiro lugar, na praia. Let it be, sweet. Não sei o que quero, mas sei o que não quero. Eu só sei que seria a mesma, de novo. O que é bobo, não é? Não lembro de você. Já sei qual vai ser teu próximo passo. Eu só sei que seria a mesma, e que tudo voltaria, como flor jogada no mar, pra Iemanjá. Mas ela recusa.

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